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O que são hábitos, como eles se formam, como podemos mudá-los e quanto tempo leva para fazer isso? Todas essas perguntas são respondidas aqui. Me acompanhe  🙂

Em primeiro lugar, a proposta é compreender o que são os hábitos. Felizmente, sabemos que eles são formados no nosso consciente. Eles se formam por ações repetitivas e tendemos a achar que são bons. Eles nos colocam na zona de conforto e no piloto automático. Fazemos coisas o dia todo no piloto automático. Quer ver? Levantar, escovar os dentes, tomar banho, tomar café, os mesmos movimentos no trabalho, a forma como nos relacionamos com as pessoas, por exemplo. São inúmeros hábitos, similares entre as pessoas e outros bem diferentes. Na lista, há os bons e os ruins que queremos mudar. Exemplos como deixar de ser sedentário ou deixar de comer doces, nos deixam incomodados mas não sabemos como mudar isso.

De acordo com os cientistas, sejam neurocientistas, psicólogos e professores universitários, há 3 etapas na formação do hábito. Compreender essas etapas ajuda a pensar e agir na mudança do hábito ruim:

  1. Gatilho que desencadeia o hábito
  2. Rotina que se transforma em hábito
  3. Recompensa

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Vamos compreender isso. Quando nossas mães nos ensinaram a escovar os dentes ou tomar banho, o gatilho para isso era “filho, escove os dentes depois do jantar”. E assim, após cada refeição, automaticamente passamos a escovar os dentes. E isso se tornou rotina. A recompensa é o hálito refrescante, a sensação de higiene.

Da mesma forma, as pessoas que gostam de doce, terminam a refeição e querem sobremesa. Ou, então, no meio da tarde vem a imagem daquele bolo acompanhado de cafezinho. Foi o que acontecia com o autor do livro O Poder do Hábito. Charles Duhigg, um jornalista, entrevistou centenas de pessoas que moram em países de língua inglesa para compreender o hábito. Ele próprio compreendeu e conseguiu mudar o hábito de comer cookies num determinado horário da tarde. Diariamente, por volta das 15h00 ele saboreava o cookie, o que lhe rendeu 3 quilos a mais no corpo. Então, passou a observar e anotar o que o levava à cafeteria para comer esse doce. Ao anotar suas noções compreendeu o gatilho: era o tédio. Quando o tédio batia, ele se levantava para ir à cafeteria e comia o tal doce. Já que descobriu o gatilho, ele começou a implementar outras ações, quebrando essa rotina. Ao invés do cookie, experimentou bater um papo com o colega, dar uma volta na quadra ou só tomar o café. Wow! Deu certo!

Além de perder 5 quilos só de deixar de comer os cookies às 15h00, ele descobriu pessoas interessantes nos colegas e a recompensa foi exatamente essa: bater papo com eles o descontraía!  💡

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Eu fiz a mesma coisa. Era uma sedentária e queria sair para tomar sol e caminhar, já que não me sinto à vontade em academia (confesso que já tentei várias vezes). Bem, o hábito do sedentarismo não me tirava do assento do carro ou da cadeira na frente do computador. Resolvi que num dos intervalos do cafezinho da tarde, colocaria um par de tênis e sairia para caminha num parque em frente ao prédio onde morava. Para isso, até me mudei para me incentivar. O gatilho foi substituir o cafezinho (tomava demais) pelos primeiros passos ao ar livre, observando a natureza, ouvindo o canto dos pássaros e apreciar o céu. Isso tudo é tão maravilhoso que me rendi à prática. O corpo foi se acostumando e quando não saio para caminhar, ele pede. Isso é fantástico! Para que esse novo hábito se instalasse, criei um alerta no meu celular. Todos os dias, em determinado horário saía para a caminhada. As minhas recompensas foram o prazer de observar a natureza e também o gostoso banho depois!

O mesmo ocorreu com a criação de um novo hábito: o de tomar água. Tomava pouca água durante um dia. E o organismo necessita. Além disso, o cérebro adora água e gordura do bem. Então, implementei a nova prática, tomando água com pH acima de 8. Passei a gostar da água e desde então é a minha bebida predileta. Esse foi um hábito relativamente fácil.

O que observei é o querer. Quando a gente se coloca no modo querer, é diferente de “eu tenho que”. O “eu tenho que” provoca um senso de obrigação, o que pode até causar má vontade. Então, a minha dica é dizer para si mesmo “eu quero tomar mais água. Isso vai me trazer muitos benefícios e o meu corpo/mente vão ficar gratos”. Este é um ponto de partida.

Depois, você descobre o gatilho. Se pega uma garrafinha de chá industrializado, pense “ops! eu prefiro água”, por exemplo. Assim, você vai criando esse novo hábito, introduzindo uma rotina diferente. A recompensa vai ser o seu cérebro funcionando melhor, o intestino funcionando melhor, a pele mais bonita, o corpo hidratado, eliminando as toxinas.

Quanto tempo para um novo hábito

Sair da zona de conforto, que na minha opinião é zona de desconforto, não é fácil. Segundo um estudo feito na década de 50, por um cirurgião plástico, para um novo hábito se instalar na vida da pessoa levava 21 dias. E é esse período que os coaches e life hackers dizem dar certo.

Porém, um pesquisador inglês – psicólogo Jeremy Dean –  descobriu que para a formação de um novo hábito leva cerca de 66 dias, em média. Segundo ele, tudo depende do tipo de novo hábito. Um fácil, como o de beber água pode levar apenas 21 dias. Já os mais difíceis, como praticar exercícios, podem levar até 88 dias ou mais. Então, a criação e instalação de um novo hábito ou a mudança para um melhor requer mais tempo. Isso significa mais determinação e persistência.

Recomendo a leitura do livro Porque Fazemos o que Fazemos, de sua autoria.

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Como fazer para criar um novo hábito

Parece que a chave para a criação de um novo hábito está na rotina. Isso mesmo! Estabelecer novas rotinas. Imagine que quando seu cãozinho de estimação faz algo bacana, você logo dá sua ração preferida e ele fica todo feliz. Esse foi o gatilho para que ele aprendesse a ir buscar a bola pra você, por exemplo.

Com os seres humanos é a mesma coisa. Que tipo de recompensa te agrada ao ponto de querer fazer algo diferente? Faça uma lista disso tudo. Supondo que queira deixar de comer guloseimas doces ou cheias de gorduras trans. O que você poderia introduzir no lugar dessa guloseima? Uma saída para caminhar, um telefonema para aquela amiga querida, ouvir uma música… enfim, teste e descubra algo que te dê um prazer diferente e introduza a nova rotina. De acordo com o dr. Juliano Pimentel, em sua recente palestra no Japão, “deu vontade de comer doce? Coma torresminho!”. Só de pensar me dá água na boca. Torresmo tem gordura do bem, então, pode ser uma ótima ideia! Passa a ser sua recompensa.

Para descobrir as recompensas, faça outra pergunta. “Quais são os benefícios ou prazeres que esse novo hábito me trará?”. Você vai ver que são muitos. E vá tentando todos até que um irá desencadear o novo hábito.

Um dos problemas das pessoas é alegar falta de tempo, não consigo, não dá, é difícil… Isso denota auto sabotagem. Pergunte-se a si mesmo: “como faço para conseguir o que quero?”. O “como” vai fazer com que seu cérebro encontre respostas para você. Tente!

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No processo de instalação do hábito, acredito que o foco tem um papel importante. Quando deixei de consumir glúten, passava pelas gôndolas do supermercado e via os macarrões, mais à frente os discos de pizza, depois os pães. No começo, andei dando umas escorregadas e comprando um macarrão, por exemplo. Mas, depois de comer glúten, no dia seguinte, o organismo reagia. Então, passei a não querer mais isso. A minha recompensa do bem estar foi maior do que a vontade de comer macarrão que adorava! Hoje substituí o macarrão pela abobrinha ou batata doce em fio ou pelo macarrão de arroz, como comem os povos asiáticos. E eles me satisfazem ao ponto de não ter mais nenhuma vontade de comprar macarrão feito de farinha de trigo.

Então, de acordo com a minha vivência, novas rotinas aliadas ao foco foram a chave para o sucesso dessa empreitada da alimentação mais saudável para o meu corpo.

Sair da zona de conforto exige racionalidade. É preciso estar consciente, ser lógico e racional. Claro, exige esforço e persistência. 

Depois, sim, entram os sentimentos e as emoções. Para me motivar, manter focada e me incentivar, criei uns post its espalhados por locais estratégicos, lia as palavras abaixo insistentemente, passei a usar os alarmes do smartphone para me programar e a cada conquista vibrava de alegria! Também me elogiava com palavras do tipo “é isso mesmo, você conseguiu mais uma vez”. Se um ou outro dia esquecia, não me cobrava severamente nem deixava a culpa tomar conta. Compartilhe suas conquistas com os familiares e amigos próximos. Isso pode ajudar a criar a nova rotina.

Ah! um detalhe importante: introduza um novo hábito por vez. Assim fica mais fácil.  💡

Vigie seus pensamentos, eles se tornam palavras.

Escolha suas palavras, elas se tonam ações.

Compreenda suas ações, elas se tornam hábitos.

Estude seus hábitos, elas moldam seu caráter e ele será seu destino. 

(Alguns atribuem essas palavras a Vigelandsparken, outros a outro autor. Enfim, não sei de quem é, mas gosto demais!)

Outras palavras que me agradam muito e repito para mim mesma, são de Mahatma Gandhi.

Mantenha seus pensamentos positivos, porque seus pensamentos tornam-se suas palavras.

Mantenha suas palavras positivas, porque suas palavras tornam-se suas atitudes.

Mantenha suas atitudes positivas, porque suas atitudes tornam-se seus hábitos.

Mantenha seus hábitos positivos, porque seus hábitos tornam-se seus valores.

Mantenha seus valores positivos, porque seus valores…

Tornam-se seu destino.

Livros que citei e recomendo comprar (você pode comprar online e adquirir o e-book). São sugestões, não se trata de propaganda.

Capa O poder do habito.indd Porque-Fazemos-o-Que-Fazemos

Hábito: compreender, aceitar, mudar e como criar um
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